Na manhã desta terça-feira (2), a Polícia Civil deteve 20 indivíduos em uma operação destinada ao combate ao tráfico de armas, lavagem de dinheiro e outros delitos na área metropolitana de Porto Alegre.
Denominada “Operação Penhor”, a ação foi realizada pela 2ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico (2ª DIN), parte do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (DENARC). Este esforço se insere na Operação Narke VI, promovida pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública.
No total, foram executadas 94 medidas cautelares, que incluíram 24 mandados de prisão preventiva, 22 mandados para busca e apreensão, além de 36 veículos sequestrados, dois imóveis confiscados e dez contas bancárias bloqueadas.
As ações se concentraram em localidades como Porto Alegre, Gravataí, Cachoeirinha, Canoas e Cidreira, situada no Litoral Norte.
O foco da operação é uma organização criminosa dedicada ao tráfico ilícito de armas, lavagem de dinheiro e crimes relacionados. Segundo a Polícia Civil, o grupo fornecia armamentos e munições para uma facção originária da região do Vale dos Sinos.
Chefe da organização está na PASC
Um dos principais alvos da operação é Juliano Biron, identificado como líder da organização criminosa e associado a uma facção que atua como braço do PCC (Primeiro Comando da Capital) no Rio Grande do Sul.
Conforme informações da Polícia Civil, Biron gerenciava suas atividades criminosas dentro da Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (PASC), localizada em Charqueadas.
Ele foi capturado em setembro de 2025 em Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, após um alerta vermelho emitido pela Interpol. De acordo com as investigações, Biron utilizava documentos falsificados e residia em um condomínio luxuoso naquele país.
Biron já havia sido condenado em 2020 pelo assassinato do fotógrafo José Gustavo Bertuol Gargioni. O crime ocorreu em julho de 2015 em Canoas, onde a vítima foi torturada e morta com 19 disparos na Praia do Paquetá.
Apreensões significativas
A operação resultou na apreensão de R$ 30 mil em espécie, oito veículos, uma moto aquática e três armas de fogo.
Além disso, a Polícia Civil relatou que o valor total dos bens confiscados é estimado em cerca de R$ 13 milhões, englobando imóveis sofisticados e veículos diversos.
Segundo o delegado Carlos Wendt, diretor do DENARC, o grupo utilizava concessionárias para lavar o dinheiro oriundo do tráfico. As investigações também revelaram que armas registradas legalmente eram reportadas como furtadas para posteriormente serem comercializadas no mercado ilegal.
Além disso, a organização é investigada por práticas de empréstimos com juros exorbitantes e ameaças para cobrança das dívidas contraídas.
Investigações sobre lavagem de dinheiro
As investigações tiveram início após denúncias sobre o comércio clandestino de armas na Região Metropolitana, especialmente nas cidades de Cachoeirinha e Gravataí.
Durante as operações policiais, foi possível identificar uma estrutura organizada com divisão clara de funções voltadas à aquisição, movimentação, armazenamento e venda de armamentos e munições.
O delegado Wesley Lopes destacou que o grupo recorria a operadores financeiros e empresas legalmente constituídas para ocultar os recursos obtidos através das atividades criminosas. “As apurações mostraram que eles utilizavam esses intermediários para disfarçar valores provenientes das atividades ilícitas”, afirmou ele.
Detenção de ex-servidora
Uma ex-servidora da Câmara Municipal de Cachoeirinha foi presa durante a operação. O Legislativo municipal informou que ela não possui mais vínculo com a instituição desde 31 de dezembro de 2024, quando foi exonerada do cargo que ocupava.
A Polícia Civil anunciou que as investigações estão em andamento para localizar fugitivos e coletar novos elementos relacionados ao caso. A busca por aprofundar as investigações patrimoniais e financeiras continua ativa.
A população pode realizar denúncias através do Disque-Denúncia do Denarc pelo telefone 0800 518 518.
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