O governo do Rio Grande do Sul comunicou que, apesar da expectativa de um novo El Niño em 2026, não existem indícios claros de que um evento semelhante à enchente de 2024 ocorrerá neste ano. Essa avaliação foi revelada na sexta-feira (24), durante a apresentação do balanço referente aos dois anos das cheias de 2024. O documento traz informações do Plano Rio Grande, iniciativa estadual voltada para a reconstrução e adaptação climática.
Segundo os dados apresentados, a formação do fenômeno El Niño eleva as chances de precipitações superiores à média na região Sul do Brasil. Entretanto, o governo esclarece que, até o momento, não há previsões de grandes volumes de chuva para o Rio Grande do Sul.
A preocupação se concentra em eventos isolados, como chuvas intensas, alagamentos, enxurradas e tempestades.
As previsões também sugerem a influência de um novo El Niño em 2026, especialmente nos meses da primavera e verão. Até agora, não foram detectados sinais de um El Niño intenso ou Super El Niño.
Evento fora da curva
O cenário projetado para 2026 foi comparado ao período anterior à histórica enchente. Nos anos de 2023 e 2024, o Estado vivenciou um El Niño classificado como forte.
As precipitações ocorridas entre o final de abril e o início de maio resultaram em algumas das maiores inundações já registradas desde a chegada dos europeus no século XVII. No intervalo de nove meses, entre setembro de 2023 e maio de 2024, Porto Alegre enfrentou três das quatro maiores cheias da sua história.
O relatório também revela que o Estado ampliou suas estruturas de monitoramento climático após as enchentes. A Defesa Civil passou a operar um centro dedicado ao acompanhamento de eventos críticos e adotou tecnologia avançada para previsões em curto prazo, além de colaborar com universidades locais.
Outra mudança significativa foi a criação de uma rede própria composta por 130 estações hidrometeorológicas essenciais, bem como o acesso a radares para garantir cobertura adequada em todo o território gaúcho.
A interpretação do governo é que o Estado precisa permanecer alerta para possíveis eventos severos isolados, mesmo na ausência atual de indicadores que sugiram uma repetição da catástrofe ocorrida em 2024.
