Na noite de terça-feira (4), o Brasil decidiu reduzir o nível de suas relações diplomáticas com a Argentina. O embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, voltará ao Brasil, enquanto o embaixador argentino, Daniel Raimondi, deverá retornar à Argentina.
Com essa nova diretriz, as representações diplomáticas localizadas em Brasília e Buenos Aires passarão a ser conduzidas por encarregados de negócios, um cargo inferior ao de embaixador. Fontes do corpo diplomático brasileiro enfatizaram que a saída de Raimondi não se configura como uma expulsão formal.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou nesta quarta-feira (5) que a decisão foi uma resposta a quatro declarações do presidente argentino, Javier Milei, ocorridas em apenas uma semana. Segundo o chanceler, essas manifestações foram dirigidas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva e às instituições brasileiras.
Em uma entrevista concedida a um programa argentino, Vieira descreveu os comentários de Milei como “agressivos, descabidos e grosseiros”, ressaltando que a desavença não teve relação com diferenças ideológicas entre os países.
A crise diplomática teve início após a participação de Milei na convenção nacional do Partido Liberal (PL), realizada em São Paulo no dia 25 de julho, onde o presidente argentino referiu-se a Lula como “presidiário”.
Nos dias seguintes ao evento, Milei intensificou suas críticas ao presidente brasileiro, questionou decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e acusou o Brasil de tentar interferir nas eleições presidenciais argentinas de 2023. Ao abordar a reação brasileira às suas declarações, ele afirmou que seus comentários foram espontâneos e não considerados agressivos.
Argentina critica decisão, mas descarta retaliação
A chancelaria argentina caracterizou essa ação como unilateral e baseada em motivações ideológicas. Além disso, acusou o Brasil de se distanciar dos outros países da América Latina.
No entanto, nesta quarta-feira, o governo da Argentina anunciou que não tomará medidas punitivas contra o Brasil em resposta à redução nas relações diplomáticas.
