Na última segunda-feira (15), a 3ª Delegacia de Polícia de Canoas deu início à segunda fase da Operação Carrasco, focando no combate a maus-tratos a animais, além de investigar associações criminosas e estelionato.
Entre os detidos estão a ex-secretária do Bem-Estar Animal de Canoas, Paula Lopes, e dois veterinários. Eles são alvo de investigações por um esquema que envolve eutanásias fraudulentas de cães e gatos, visando desviar dinheiro arrecadado através do PIX para tratamentos que nunca foram realizados.
Além das prisões, a operação cumpriu doze mandados de busca e apreensão, resultando na coleta de celulares, computadores e outros materiais que auxiliarão nas investigações. Um cão debilitado, sem as patas dianteiras e utilizado em campanhas de arrecadação nas redes sociais, também foi apreendido.
Primeira fase da operação
A primeira fase da Operação Carrasco ocorreu em 4 de setembro de 2025, com foco na Secretaria Especial de Bem-Estar Animal de Canoas. Naquela ocasião, a Polícia Civil realizou buscas em vários locais, incluindo a sede da secretaria, o domicílio da investigada e um sítio onde funciona o Instituto Nacional de Proteção Animal. Também houve busca na casa de uma veterinária vinculada à secretaria.
Após examinar o material obtido durante as buscas, os investigadores se alarmaram ao constatar que o número de eutanásias realizadas estava excessivamente alto para o perfil dos animais resgatados e em comparação com anos anteriores. Usuários dos serviços prestados pela secretaria e membros da própria equipe foram os primeiros a alertar sobre as irregularidades.
Segunda fase
Na ação realizada no dia 15, a Polícia Civil intensificou suas investigações contra a estrutura criminosa que operava fora dos limites da Secretaria.
Nesta nova etapa, os policiais analisaram detalhadamente o material apreendido anteriormente e estabeleceram uma ligação direta entre a principal investigada e veterinários externos à Secretaria. Segundo os dados coletados, muitos animais resgatados eram levados para eutanásia mesmo quando existiam opções viáveis de tratamento.
Em um caso específico, uma veterinária questionou sobre um possível teste para diagnosticar uma doença antes da decisão sobre o procedimento. A resposta recebida da ex-secretária foi uma autorização para proceder com a eutanásia sem qualquer confirmação diagnóstica prévia. Essa atitude contrasta com as diretrizes clínicas recomendadas, já que casos como cinomose exigem exames específicos para confirmação.
As investigações também revelaram que no mesmo dia em que autorizava a eliminação do animal, a investigada fez um apelo nas redes sociais solicitando apoio financeiro para custear o tratamento do mesmo cão. Para os policiais, essa discrepância indica uma tentativa de arrecadar fundos baseada em uma narrativa pública enganosa sobre cuidados com os animais.
Em outra ocorrência registrada nas investigações, Lopes discutiu com uma veterinária sobre um animal suspeito de ter esporotricose. Apesar das orientações sobre possíveis tratamentos, as ordens dadas foram interpretadas como instruções para realizar “o que tem que ser feito”, sugerindo novamente uma determinação para proceder com a eutanásia.
A ex-secretária frequentemente apresentava em suas redes sociais fotos de animais deficientes que supostamente “adotava” ou “salvava”, utilizando essa imagem como fachada para legitimar suas ações. Mesmo após ser exonerada do cargo, seu esquema continuou operando sob sua “associação” no sítio mencionado.
Conforme as investigações revelaram, desde 2020 ela teria realizado 549 campanhas de arrecadação online, totalizando R$ 672.670,39 recebidos de 14.545 pessoas.
Próximos passos
Agora, as autoridades buscam registros de microchipagem dos animais desaparecidos na tentativa de determinar quantos deles foram mortos durante esse período.
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