Operação da PF mira sócios das Americanas e diretores de bancos renomados

Na última quinta-feira, 25 de outubro, a Polícia Federal, em colaboração com o Ministério Público Federal, deu início à segunda fase da Operação Disclosure. Essa nova etapa visa aprofundar a apuração sobre suspeitas de fraudes contábeis que podem chegar a cerca de R$ 54 bilhões.

Informações indicam que entre os alvos das investigações estão acionistas importantes da Americanas e diretores de grandes instituições bancárias.

A lista dos indivíduos alvo da operação inclui:

  • Os acionistas Carlos Alberto da Veiga Sicupira e Paulo Alberto Lemann;
  • Eduardo Saggioro Garcia, considerado o operador direto dos sócios.

A ação também se volta contra executivos vinculados a bancos que mantinham relações comerciais com a empresa. Os nomes citados são:

  • José de Castro Araújo Rudge Júnior e Gustavo Balassiano, do Itaú Unibanco;
  • Carlos Henrique Villela Pedras, do Bradesco;
  • André Juaçaba de Almeida e Alexandre Lian Abdo, do Santander.

Medidas adotadas

No decorrer da operação, a polícia está cumprindo nove mandados de busca e apreensão em diversas localidades, incluindo as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo.

A Justiça Federal, através da 10ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, também ordenou o bloqueio de bens e ativos dos investigados até o total estimado de R$ 54 bilhões.

Detalhes da operação

As investigações sugerem que os envolvidos estavam cientes das alegadas fraudes contábeis que ocorreram ao longo dos anos. Essas fraudes estariam ligadas a operações conhecidas como risco sacado e contratos de VPC (verba de propaganda cooperada), que supostamente foram contabilizados sem respaldo econômico.

A análise preliminar aponta indícios dos crimes de manipulação do mercado e formação de quadrilha.

A natureza da fraude

De acordo com as autoridades, os investigados teriam cometido fraudes contábeis relacionadas ao risco sacado, uma modalidade onde as varejistas antecipam pagamentos a fornecedores por meio de empréstimos com bancos.

A investigação também identificou irregularidades em contratos de VPC, geralmente utilizados como incentivos comerciais no setor. No entanto, neste caso específico, foram contabilizadas VPCs que não existiam.

Análises adicionais revelaram indícios substanciais sobre práticas como manipulação de mercado, uso indevido de informações privilegiadas – o chamado “insider trading” –, além de associação criminosa e lavagem de dinheiro.

Primeira fase da operação

A fraude envolvendo a Americanas veio à tona em janeiro de 2023, quando foi estimada uma perda inicial em torno de R$ 20 bilhões. A primeira fase da Operação Disclosure foi lançada em junho de 2024 para investigar um montante adicional que somava R$ 25,3 bilhões.

Cerca de 80 agentes federais realizaram dois mandados de prisão preventiva e 15 mandados para busca e apreensão nas residências dos ex-diretores da Americanas localizadas no Rio de Janeiro.

A Justiça também determinou o sequestro dos bens e valores desses ex-diretores, totalizando mais de meio bilhão de reais. Os mandados foram emitidos pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio.

Detenção na Espanha

Como parte das investigações subsequentes, o ex-CEO Miguel Gutierrez foi detido pela polícia espanhola em Madri durante junho de 2024. Sua prisão ocorreu após seu nome ser incluído na lista vermelha da Interpol.

A localização do suspeito foi realizada pelo CCPI (Centro de Cooperação Policial Internacional), vinculado à Superintendência da PF no Rio. Contudo, meses depois sua prisão foi revogada.

Acusações formais

Em março de 2025, o Ministério Público Federal apresentou acusações contra 13 ex-executivos e colaboradores por envolvimento em um esquema voltado à manipulação dos resultados financeiros. O intuito era enganar investidores e ocultar a real situação financeira da companhia.

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By Acontece em Canoas

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