O setor do agronegócio do Rio Grande do Sul teve um movimento de US$ 4,5 bilhões em vendas externas no quarto trimestre de 2025, correspondendo a 74,4% do total exportado pelo Estado. A China se manteve como o principal destino, recebendo 33,8% do total exportado no trimestre, seguida pela União Europeia com 15,0%. No entanto, as exportações para a China tiveram uma queda de 21,7%, impactadas principalmente pela soja, carne suína e celulose.
No mesmo período, a soja continuou sendo o principal setor exportador do agronegócio gaúcho, movimentando US$ 1,6 bilhão. Houve uma queda de US$ 632,8 milhões (-28,8%) em comparação com o mesmo período de 2024, devido à estiagem.
Esses resultados levaram a uma retração de 6,2% nas exportações totais em relação ao ano anterior. No entanto, setores como fumo (US$ 945,1 milhões – aumento de 7,1%) e carnes (US$ 755,2 milhões – aumento de 18,4%) apresentaram crescimento.
Os dados fazem parte do Boletim Indicadores do Agronegócio do RS, coordenado pelo pesquisador Sérgio Leusin Júnior e divulgado pelo DEE/SPGG (Departamento de Economia e Estatística, vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão).
Estados Unidos e política comercial
A Nota Técnica de Exportações destaca que ainda não é possível avaliar completamente os impactos das tarifas impostas pelos Estados Unidos ao agronegócio gaúcho em 2025, devido à falta de dados consolidados. As exportações do Rio Grande do Sul para os Estados Unidos diminuíram pelo terceiro ano seguido em 2025, porém a participação dos EUA no total exportado pelo setor se manteve estável. Em fevereiro de 2026, a Suprema Corte dos EUA considerou inconstitucional parte das tarifas comerciais impostas, mas outras permanecem em vigor.
“Os efeitos dessas mudanças sobre o fluxo bilateral de comércio serão monitorados nos próximos relatórios à medida que novos dados forem disponibilizados”, disse a SPGG.
Boletim
O Boletim também apresenta dados sobre o emprego formal no agronegócio gaúcho. No quarto trimestre de 2025, houve uma redução de 6.787 postos de trabalho, relacionada à sazonalidade da produção agrícola e à diminuição de mão de obra após a safra de verão. No total, o agronegócio do Rio Grande do Sul fechou 2025 com um saldo positivo de 10.693 empregos formais, totalizando 393.249 postos ativos em dezembro e representando 23,1% das novas vagas criadas na economia gaúcha durante o ano.
