A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (12) a Operação Punctum Finale e deteve 19 pessoas suspeitas de envolvimento em lavagem de dinheiro, tráfico de drogas e homicídios na zona sul de Porto Alegre. Foram cumpridos um total de 22 mandados de prisão preventiva e 18 de busca e apreensão, em ações realizadas na Capital e em Gravataí, na região metropolitana.
Entre os detidos, dois já estavam encarcerados. Durante a operação, foram apreendidos dinheiro em espécie e um veículo.
A ação foi coordenada pela DRLD (Delegacia de Polícia de Repressão ao Crime de Lavagem de Dinheiro), vinculada ao DHPP (Departamento Estadual de Homicídios e Proteção à Pessoa) e contou com o apoio da Brigada Militar e da Polícia Penal. Mais de 90 policiais civis e 30 policiais militares participaram das diligências.
Investigação durou dois anos
Segundo as investigações, o grupo utilizava empresas e a aquisição de bens para ocultar recursos provenientes do tráfico de drogas. Dentre as estratégias adotadas estavam investimentos em imóveis, veículos, empresa de recolhimento de sucatas e franquia no setor de alimentos.
As movimentações financeiras identificadas foram consideradas incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos entre 2021 e 2025, totalizando valores acima de R$ 10 milhões.
Também foi apurada a compra de mais de 20 celulares em uma loja da Capital, aparelhos que teriam sido enviados ao sistema prisional para manter a comunicação de membros detidos com o exterior. Em uma fase anterior da investigação, foi realizado um mandado de busca em uma cela penitenciária, resultando na apreensão de telefones.
Investigações anteriores
Esta ação encerra um ciclo iniciado com a Operação Riciclaggio, deflagrada em novembro de 2024, quando foram apreendidos seis veículos, dois fuzis, três pistolas e cerca de R$ 70 mil em espécie.
Em seguida, a Operação Renovatio, realizada em junho de 2025, resultou na apreensão de aproximadamente R$ 34 mil, celulares, drone, joias e três veículos. Mesmo após essas ações, o grupo continuou atuando no tráfico e na movimentação financeira investigada de acordo com os investigadores.
Durante as investigações, a região influenciada pelo grupo foi palco de um homicídio em março de 2025, caso que está em andamento na 6ª DPHPP (Delegacia de Homicídios).
De acordo com o diretor DHPP, delegado de Polícia Mario Souza, essa operação contra a lavagem de dinheiro que atinge um grupo criminoso envolvido em homicídios é resultado da aplicação da medida 5 do Protocolo das 7 Medidas de Enfrentamento aos Homicídios. “A repressão ao crime de lavagem de dinheiro visa enfraquecer o poderio financeiro dos grupos criminosos, justamente para evitar que esses usem o dinheiro ilícito para financiar a prática de homicídios”, afirmou o delegado.
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