Neste domingo (25), Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito presidente do Brasil, ao vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026. Com 80 anos, Lula alcança sua quarta vitória presidencial, superando um concorrente que havia liderado o primeiro turno.

Esse resultado marca um novo capítulo na trajetória política de quase cinquenta anos de Lula. Ele já havia sido eleito em 2002, 2006 e 2022, e agora retorna à Presidência após uma carreira repleta de desafios, incluindo a liderança sindical, a fundação do Partido dos Trabalhadores, derrotas eleitorais e até mesmo um período de prisão.

Com essa vitória, a chapa composta por Lula e Geraldo Alckmin (PSB) garante mais um mandato, com a posse agendada para 5 de janeiro de 2027.

Lula inverte a vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno

A eleição presidencial de 2026 chegou ao segundo turno com Flávio Bolsonaro na dianteira.

No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o candidato do PL obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula alcançou 45,16%. Essa diferença de 1,87 ponto percentual conferiu ao senador uma vantagem inicial na disputa decisiva.

No segundo turno, Lula conseguiu inverter esse cenário e obteve a maioria dos votos válidos.

A contagem deste domingo foi marcada por uma apuração acirrada. Às 20h32, com 56,76% das seções totalizadas, Lula registrava 50,41% dos votos válidos contra os 49,59% recebidos por Flávio Bolsonaro.

Naquele momento da apuração parcial, Lula contava com um total de 35.285.002 votos e Flávio Bolsonaro tinha 34.710.061. Os números ainda não representavam o resultado final.

Essa disputa também simbolizou a continuidade da polarização entre o lulismo e o bolsonarismo. Após derrotar Jair Bolsonaro quatro anos atrás, Lula enfrentou agora o filho do ex-presidente em mais uma eleição nacional.

Da liderança sindical à primeira vitória presidencial

Lula nasceu em Pernambuco em 1945 e construiu sua carreira política dentro do movimento sindical no ABC paulista.

Como metalúrgico, ganhou notoriedade nacional durante as greves operárias no final da década de 1970, ainda sob a ditadura militar brasileira. Nesse contexto, tornou-se uma das principais figuras sindicais do país.

Em 1980, participou da criação do Partido dos Trabalhadores (PT), que se tornaria uma das principais forças políticas do Brasil após a redemocratização.

Lula tentou pela primeira vez chegar à Presidência em 1989, mas foi derrotado por Fernando Collor de Mello. Ele voltou a concorrer em 1994 e 1998, perdendo novamente para Fernando Henrique Cardoso nas duas ocasiões.

Sua primeira conquista presidencial veio em 2002 após três tentativas sem sucesso. Nesse ano, ele derrotou José Serra e assumiu o Palácio do Planalto com uma ampla coalizão que incluía setores da esquerda e do empresariado.

Reeleito em 2006, seu governo se estendeu até o final de 2010.

Os primeiros mandatos foram marcados pela ampliação de programas sociais e pela valorização do salário mínimo em um período caracterizado pelo crescimento econômico. Contudo, também enfrentaram crises políticas e escândalos de corrupção como o mensalão.

Lula deixou a Presidência no final de seu segundo mandato em 2010 e foi sucedido por Dilma Rousseff, também do PT.

Da prisão ao retorno ao Palácio do Planalto

Nos anos seguintes à sua saída da Presidência, a trajetória política de Lula sofreu uma interrupção significativa.

Em 2018, ele foi preso como resultado de uma condenação decorrente da Operação Lava Jato. Naquele ano, sua candidatura à presidência foi barrada pela Justiça Eleitoral.

Lula permaneceu encarcerado por um total de 580 dias até novembro de 2019 quando foi libertado devido a uma mudança na interpretação do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a execução antecipada das penas.

Em 2021, o STF anulou as condenações relacionadas à Lava Jato ao reconhecer que a Justiça Federal de Curitiba não tinha competência para julgar os casos envolvidos.

Essa decisão restaurou seus direitos políticos e possibilitou seu retorno às disputas eleitorais para o cargo presidencial.

Em 2022, Lula venceu Jair Bolsonaro no segundo turno e voltou ao Palácio do Planalto após estar afastado por doce anos do cargo público.
A vitória foi emblemática: um ex-presidente que passou por condenações que foram posteriormente anuladas conseguiu retomar sua posição através do voto popular.

Agora, quatro anos depois dessa conquista histórica, mais uma vitória amplia ainda mais seu legado político.

Quatro vitórias presidenciais em cinco décadas de política

A reeleição em 2026 solidifica Lula como uma figura proeminente na história política brasileira desde a redemocratização.
Poucos líderes tiveram um papel tão duradouro nas disputas eleitorais nacionais quanto ele. O ex-presidente participou das eleições gerais em diferentes momentos da história: em 1989; nos dois turnos seguintes; nas vitórias nos anos iniciais dos anos dois mil; e agora novamente com seu retorno às urnas este ano.

Seu percurso inclui três derrotas consecutivas seguidas por duas vitórias logo no início dos anos duzentos e outras duas conquistas eleitorais depois que retornou ao cenário político.
A quarta vitória distingue-o ainda mais entre os presidentes eleitos desde a redemocratização: nenhum outro político conquistou quatro eleições diretas para a presidência brasileira até hoje.
O resultado não encerra as controvérsias relacionadas aos seus mandatos anteriores ou seu legado político; entretanto acrescenta um novo marco significativo à sua já notável trajetória na política nacional.

Novo mandato terá desafios econômicos e políticos

Essa nova vitória presidencial assegura a continuidade da gestão federal sob sua liderança; porém também intensifica as expectativas quanto aos resultados administrativos.
Ao iniciar seu novo mandato,Lula enfrentará desafios críticos relacionados ao equilíbrio fiscal; crescimento econômico; geração de empregos; investimentos públicos; além da necessidade premente por redução das desigualdades sociais.
O relacionamento com o Congresso Nacional será fundamental para viabilizar aprovações orçamentárias essenciais para suas propostas governamentais.
Além disso nas relações internacionais,Lula terá que administrar vínculos com os Estados Unidos; China; países sul-americanos;e instituições multilaterais.
Diferentemente da primeira vez que assumiu o cargo ,em2002,Lula entra nesse novo período com vasta experiência adquirida durante seus três mandatos anteriores como presidente.
Essa vitória reforça seu papel histórico na sociedade brasileira; contudo,o sucesso deste quarto governo dependerá diretamente das decisões estratégicas tomadas e dos resultados concretos que delas advierem.

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