Economia gaúcha em crescimento: disparidade se intensifica nas áreas urbanas dominantes

O PIB (Produto Interno Bruto do Rio Grande do Sul) registrou um crescimento entre os anos de 2021 e 2023, porém, essa expansão econômica não foi distribuída de forma equilibrada por todo o Estado. De acordo com dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) analisados pelo IFEP-RS (Instituto Fecomércio-RS de Pesquisas), observou-se que as maiores cidades ampliaram sua participação na economia estadual, enquanto municípios com forte dependência da agropecuária sofreram uma queda significativa em sua participação.

No período analisado, o PIB nominal gaúcho cresceu 11,84%. No entanto, oito dos dez municípios com os maiores PIBs tiveram um desempenho acima da média estadual, aprofundando a concentração da geração de riqueza em poucos polos urbanos.

Porto Alegre foi o principal destaque desse movimento. A capital foi o município que mais aumentou sua participação no PIB do estado, atingindo 16,11% do total em 2023. Esse avanço contribuiu para o aumento do peso econômico da Região Metropolitana de Porto Alegre no cenário gaúcho.

Agropecuária perde força em razão das estiagens

De acordo com a análise do IFEP-RS, cidades com uma participação elevada da agropecuária no PIB foram as que tiveram os piores resultados nesse comparativo. Isso se deve, principalmente, à safra excepcional de 2021, que elevou artificialmente os números daquele ano, criando uma base difícil de sustentar nos anos seguintes, especialmente diante das estiagens.

Um dos casos mais emblemáticos é Jari, que em 2021 representava 8,1% do PIB estadual e, dois anos depois, caiu para 3,3%, uma redução de 54,88%. Situação semelhante foi observada em Capão do Cipó, Jóia, Pedras Altas e Itacurubi, todos com quedas superiores a 50% no PIB nominal entre 2021 e 2023.

“O crescimento não foi uniforme em todo o território do estado. De maneira geral, os municípios que já eram grandes cresceram mais do que os demais”, analisou o diretor executivo do IFEP-RS, Lucas Schifino. Segundo ele, fatores climáticos e a volatilidade da produção agrícola tiveram um impacto direto nesse resultado.

Mudanças nas maiores economias do RS

O estudo também aponta mudanças significativas no ranking das maiores economias do Rio Grande do Sul. Santa Cruz do Sul passou a integrar o grupo dos dez maiores PIBs do estado, alcançando a sétima posição em 2023. Já Triunfo saiu do Top 10, caindo do quinto para o 16º lugar. Gravataí avançou da sexta para a quarta posição, consolidando ainda mais a força econômica da região metropolitana.

Apesar da concentração, alguns municípios menores registraram um crescimento expressivo no período. Presidente Lucena, Mato Leitão, São José do Norte e Alpestre estão entre os que mais cresceram em termos nominais, impulsionados por bases econômicas mais diversificadas e investimentos específicos.

A análise completa está incluída na publicação IFEP-RS Analisa – PIB Municipal 2023, elaborada a partir dos dados oficiais do IBGE divulgados em dezembro de 2025.

10 maiores participações no PIB do RS em 2023

  • Porto Alegre – 16,11%
  • Caxias do Sul – 5,82%
  • Canoas – 4,49%
  • Gravataí – 2,39%
  • Rio Grande – 2,17%
  • Passo Fundo – 2,16%
  • Santa Cruz do Sul – 2,06%
  • Pelotas – 1,92%
  • Novo Hamburgo – 1,84%
  • São Leopoldo – 1,81%

O PIB do Rio Grande do Sul está em crescimento, porém a concentração econômica está se intensificando nas maiores cidades, essa é a conclusão de um estudo realizado pelo IFEP-RS.

By Acontece em Canoas

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