Na manhã desta quarta-feira (15), a Polícia Civil, através da 2ª DIN/Denarc (2ª Delegacia de Investigação do Narcotráfico), lançou a Operação Olissipo, com o intuito de desmantelar uma quadrilha que opera intensamente em Viamão e possui ramificações em outras cidades.

Foram emitidas um total de 40 ordens judiciais, que incluem 24 mandados de prisão preventiva e 16 mandados para busca e apreensão. As operações estão sendo realizadas simultaneamente em locais como Viamão, Porto Alegre, Balneário Pinhal e São Leopoldo, no Rio Grande do Sul, além de Balneário Camboriú, em Santa Catarina. Até agora, 21 indivíduos foram detidos e dois veículos foram confiscados.

Hierarquia e controle territorial

As investigações indicaram a existência de uma estrutura organizacional sólida voltada para o tráfico de entorpecentes. Associado a uma facção criminosa oriunda da região do Vale dos Sinos, o grupo recebia ordens diretamente do sistema prisional e utilizava armamento para proteger seus pontos de venda e manter o fluxo financeiro, assegurando seu domínio sobre o território.

Os dados obtidos pela polícia mostram que membros do núcleo criminal assumiram o controle de um condomínio em Viamão, onde até mesmo emitiram um comunicado para os moradores anunciando uma “nova gestão” no local, utilizando intimidação como ferramenta.

Apesar da prisão de algumas lideranças, as atividades do grupo continuavam: dentro das unidades prisionais, os detentos passavam instruções sobre abastecimento, distribuição de tarefas e alocação financeira, enquanto os gerentes soltos executavam as diretrizes e prestavam contas.

Investigação acerca da atuação de advogado

Um aspecto relevante da investigação é a suspeita sobre a participação de um advogado que atuava como intermediário entre os líderes encarcerados e os membros em liberdade.

Segundo as informações coletadas pela polícia, esse profissional encaminhava solicitações à liderança da facção, transmitia decisões e mediava conflitos internos relacionados ao controle dos pontos de tráfico e à divisão das responsabilidades. O advogado está sendo investigado por práticas que ultrapassam o exercício regular da advocacia, colaborando diretamente para a manutenção das atividades ilícitas.

Complexidade na hierarquia do grupo

O delegado Wesley Lopes, que está à frente do inquérito, destacou a complexidade organizacional do grupo criminoso.

“A investigação revelou uma organização com clara divisão de funções, gerenciamento dos pontos de tráfico e lideranças que davam ordens diretamente do interior do sistema prisional. O grupo empregava armas e métodos intimidatórios para consolidar seu poder, chegando a comunicar aos moradores sobre sua nova administração em um condomínio. Dentro desse contexto, surgiram indícios da participação de um advogado na comunicação das decisões e na resolução de conflitos internos. A operação tem como meta desarticular essa estrutura hierárquica”, declarou o delegado.

O diretor de Investigações do Denarc, delegado Alencar Carraro, junto ao diretor-geral Carlos Wendt, enfatizou o compromisso institucional em desmantelar as estruturas financeiras e logísticas das facções criminosas e responsabilizar todos os níveis hierárquicos envolvidos.

As investigações continuam com o objetivo de aprofundar a análise sobre o envolvimento dos alvos e fortalecer o inquérito policial. Denúncias anônimas podem ser feitas ao Denarc pelo telefone 08000 518 518.

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